O registro de candidatura de Larissa Rosado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) trouxe um detalhe que rapidamente virou assunto nos bastidores da política do Rio Grande do Norte.
Vice na chapa de Cadu, apoiada pelo presidente Lula, Larissa aparece nas eleições de 2026 autodeclarada parda. O curioso é que, nas eleições municipais de 2020, a mesma Larissa havia se declarado branca.
Pode parecer apenas um detalhe burocrático, mas não é. A autodeclaração racial passou a ter reflexos na forma como os partidos devem distribuir parte dos recursos públicos destinados às campanhas eleitorais. Ou seja, deixou de ser apenas um dado estatístico e ganhou relevância política e eleitoral.
É justamente por isso que mudanças desse tipo costumam despertar desconfiança e alimentar especulações. Nos bastidores, a pergunta é inevitável: o que mudou entre 2020 e 2026?
O assunto também não é novidade no Rio Grande do Norte. Nas eleições municipais de 2024, Genivan Vale registrou sua candidatura como pardo. Depois que o caso ganhou repercussão na imprensa, alegou que se tratava de um "erro" e promoveu a correção do registro.
Coincidência ou não, chama atenção que esses supostos "erros" sempre caminhem na mesma direção. Até hoje, dificilmente se vê alguém explicar que, por engano, deixou de se declarar pardo para se declarar branco. O movimento costuma ocorrer apenas em um sentido, justamente naquele que pode produzir efeitos nas regras de distribuição dos recursos eleitorais.
É importante destacar que a autodeclaração racial é um direito assegurado ao candidato e cabe à própria pessoa definir como se identifica perante a Justiça Eleitoral. No entanto, quando essa informação muda de uma eleição para outra, especialmente em um contexto em que ela possui repercussão na distribuição de recursos públicos de campanha, é natural que surjam questionamentos e cobranças por uma explicação pública.
Até o momento, Larissa Rosado não apresentou manifestação pública explicando a alteração em sua autodeclaração racial.

