A conta é simples, mas o resultado não bate. E quem paga o preço da dúvida é a sociedade.
O prefeito de Areia Branca, Souza, firmou um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para conseguir viabilizar sua candidatura e, posteriormente, exercer o mandato. No pacote do acordo, a devolução imediata de R$ 444 mil aos cofres públicos e o pagamento de 12 parcelas mensais de R$ 25.957,71. Tudo isso como consequência de condenação por enriquecimento ilícito e por beneficiar empresas ligadas a familiares quando esteve anteriormente à frente do município.
Agora vem a pergunta que não quer calar e que qualquer cidadão tem o direito de fazer:
como um prefeito, cujo salário não chega a R$ 20 mil por mês, consegue pagar de uma só vez quase meio milhão de reais e ainda arcar com parcelas mensais superiores ao próprio vencimento?
A matemática é cruel. O salário não fecha a conta. Nem de longe.
O acordo com o MPRN prevê a devolução de mais de R$ 1 milhão ao erário. Dinheiro que, segundo a Justiça, saiu indevidamente dos cofres públicos. Mas se o salário oficial não sustenta esse padrão de pagamento, de onde veio o recurso? Poupança milagrosa? Herança esquecida? Um cofre secreto que só aparece quando a Justiça bate à porta?
Enquanto isso, a população de Areia Branca observa. E observa com razão. Afinal, se no passado houve condenação por enriquecimento ilícito, a pergunta que surge naturalmente é:
o rombo desta vez será maior?
Não é acusação. É questionamento público. É curiosidade coletiva. É o papel da imprensa e da sociedade fiscalizar, perguntar e não aceitar respostas prontas embaladas em discursos vazios.
Em Areia Branca, a política pode até tentar brincar de mágica, mas a matemática essa, infelizmente para alguns, não aceita truques.
Fica a pergunta. Apenas uma pergunta.
